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	<title>Arquivos feminismo - Respeita as Bruxas da Quebrada</title>
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	<description>Wicca, Bruxaria, Sagrado Feminino e Paganismo</description>
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	<title>Arquivos feminismo - Respeita as Bruxas da Quebrada</title>
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		<title>Quero ficar no teu Corpo feito de Tatuagem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Morgana Leal]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 May 2022 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sagrado Feminino]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[sagrado feminino]]></category>
		<category><![CDATA[tatuagem]]></category>
		<category><![CDATA[violência contra a Mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje as Bruxas da Quebrada irão te explicar como as mulheres se sentem com aquelas tatuagens que foram feitas de violência contra elas.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“<strong>Quero ficar no teu corpo feito tatuagem&#8230;”</strong></p>



<p>E nesses tempos nebulosos veio a notícia do rapaz que sequestrou a ex-namorada e a devolveu para a família com o nome dele tatuado no rosto dela.</p>



<p>Segundo <a href="https://www.worldhistory.org/user/JPryst/">Joshua Mark</a>, as tatuagens, dentre suas inúmeras manifestações simbólicas, eram usadas como marca de servidão.  No antigo Egito, por volta de 3100 anos antes de Cristo, mulheres eram “marcadas” a partir de tatuagens. A intenção era de mostrar que elas eram do harém do rei.  Das tatuagens faciais mais conhecidas por nós ocidentais, aquelas dos povos Maoris, na Nova Zelândia, servem para identificar uma ligação de pertencimento.</p>



<p>E foi essa a primeira mensagem do agressor: o pertencimento. Pertencer é ser propriedade de alguém, ser parte do domínio de. Quando você pertence a alguém, você se submete a este. A submissão é mais uma renúncia ao combate do que à nossa liberdade. Não se submeter requer uma energia enorme.</p>



<p>É por isso que a submissão tem um custo imenso: renunciar a algo precioso na existência como é a liberdade de decidir como queremos levar nossa vida. E submeter uma mulher à força é como usar uma bala: municia a arma que um dia poderá matá-la.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="900" height="600" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Quero_ficar_no_teu-corpo_feito_tatuagem_01.png" alt="" class="wp-image-3678" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Quero_ficar_no_teu-corpo_feito_tatuagem_01.png 900w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Quero_ficar_no_teu-corpo_feito_tatuagem_01-300x200.png 300w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Quero_ficar_no_teu-corpo_feito_tatuagem_01-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></figure></div>



<p>No mundo morrem hoje seis mulheres por hora vítimas de pessoas próximas, a maioria companheiros ou ex-maridos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-center is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Mulher com tatuagem é vadia, rodada, não vale nada! ”</p></blockquote>



<p>Na trilha da maldade, invalidar a mulher também é parte do propósito destrutivo do tal sujeito. Invalidar é, acima de tudo, tirar da mulher toda a importância que ela pode ter para a sociedade e, pincipalmente, para outros homens com quem ela possa vir a se relacionar. Uma mulher com uma tatuagem exposta dificilmente passa despercebida pelos homens.</p>



<p>Os poucos estudos que se concentraram nas percepções dos homens sobre mulheres tatuadas descobriram que essas mulheres foram vistas sob uma perspectiva, geralmente, negativa. Uma pesquisa do psicólogo Nicolas Guéguen, da Universidade da Bretanha, na França apontou que uma boa parte dos homens entrevistados não veem as mulheres tatuadas apenas como menos atraentes, eles também as veem como mais promíscuas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Nosso corpo: um templo sagrado</h2>



<p>Quando o corpo de uma mulher é tratado como objeto, fica mais fácil descartá-lo. Ao tatuar o rosto da ex-namorada ele usou o princípio das “nazi-tatuagens” como forma de marcação e exclusão. Afinal, com uma tatuagem aparente, você não pode se dar ao luxo de ter um emprego convencional. Então, além de coloca-la num lugar de desrespeito enquanto mulher ele a exclui do mercado de trabalho formal já que uma numa empresa mais conservadora o tipo de arte e o local ainda interferem durante o processo seletivo.</p>



<p>E assim, o templo foi violado. Por conta de uma construção social que prega que homens são donos dos nossos corpos.  A tatuagem, enquanto arte milenar que já serviu para unir tribos, afastar inimigos, registrar conquistas pessoais foi usada neste caso   como mecanismo de tortura ficando à disposição da misoginia e do patriarcado.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="900" height="600" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Quero_ficar_no_teu-corpo_feito_tatuagem_02.png" alt="" class="wp-image-3679" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Quero_ficar_no_teu-corpo_feito_tatuagem_02.png 900w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Quero_ficar_no_teu-corpo_feito_tatuagem_02-300x200.png 300w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Quero_ficar_no_teu-corpo_feito_tatuagem_02-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></figure></div>



<p class="has-text-align-right">Morgana Leal</p>



<p>Referência Bibliográfica:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>MARK, J. Tatuagens no Egito Antigo. Ancient History Encyclopedia. Joshua J. Mark (editor)</li></ul>



<p>Leia Também</p>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/o-direito-e-o-nascer/">O Direito e o Nascer</a></li><li><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/e-quem-e-o-alecrim-dourado/">E quem é o Alecrim Dourado?</a></li></ul>
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		<title>As Bruxas da Noite</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Morgana Leal]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Oct 2021 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Sagrado Feminino]]></category>
		<category><![CDATA[bruxas da noite]]></category>
		<category><![CDATA[empoderamento feminino]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres na história]]></category>
		<category><![CDATA[segunda guerra mundial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje iremos falar sobre as Bruxas da Noite. Que assombraram Hitler e seu exército, durante os últimos anos da Segunda Guerra Mundial.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>A</strong>s Bruxas da Noite</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Elas surgem nos campos de batalha como pássaros sobre suas presas!&#8221;</p></blockquote>



<p>Não, não estamos falando das Valquírias, guerreiras do panteão nórdico que atuavam sob as ordens de Freya. Falamos sobre as Bruxas da Noite que, criadas pela aviadora russa Marina Raskova, assombraram o exército de Hitler, durante os últimos anos da Segunda Guerra Mundial.</p>



<p>Elas eram jovens mulheres, com idades que variavam entre dezessete e vinte e seis anos, que se voluntariaram para lutar enfrentando todo tipo de preconceito e desconfiança do exercito soviético. Não existiam uniformes ou calçados para estas mulheres num exército dominado por homens, dentro de uma sociedade onde a elas cabia lavar, passar, cozinhar e, quando muito, no esforço de guerra, servir como enfermeiras ou outra função longe dos campos de batalha. Ao perceberem que cuecas lhes eram fornecidas como roupa intima, as Bruxas da Noite passaram a confeccionar suas calcinhas com a seda dos paraquedas dos aviadores alemães abatidos.</p>



<p>Voando em pequenos aviões feitos de madeira e lona, as Bruxas da Noite realizaram mais de vinte e três mil voos em mil e cem noites de combate.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><a href="http://blog.hangar33.com.br/bruxas-da-noite-as-destemidas-aviadoras-sovieticas-da-2a-guerra/"><img decoding="async" width="900" height="600" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Bruxas-da-Noite-1.png" alt="" class="wp-image-3267" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Bruxas-da-Noite-1.png 900w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Bruxas-da-Noite-1-300x200.png 300w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Bruxas-da-Noite-1-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a></figure></div>



<p>Sim, elas voavam apenas a noite, sem nenhuma tecnologia em seus pequenos aviões, sequer um paraquedas, levando apenas uma pistola para, no caso de serem apanhadas, se defenderem sempre guardando a ultima bala para tirar a própria vida a fim de não ficar à mercê do inimigo. Sua atuação era tão surpreendente aos olhos dos alemães que, ao serem abatidas, já mortas, os soldados as despiam para se certificar de que aquelas eram mesmo mulheres.</p>



<p>Cada avião levava apenas duas tripulantes: a pilota e uma tripulante encarregada de levar duas bombas no colo. Com seus pequenos aparelhos antiquados e vagarosos, essas guerreiras desligavam o motor ao se aproximar do alvo para não serem percebidas pelo exercito alemão. Assim, lançavam suas bombas, levando confusão e medo. E é essa aproximação sorrateira e corajosa que dá a elas o nome Bruxas da Noite. Contavam os soldados que o som das asas de lona &nbsp;do avião contra o vento se parecia com o som de uma vassoura: uma vassoura de Bruxa!</p>



<p>Algumas dessas mulheres foram condecoradas com a maior honraria do país, no pós-guerra: a Medalha de Heroína da União Soviética. Parece bom? Só que não! O Regimento das Bruxas da Noite não pode participar do grande desfile da vitória, após a guerra. O motivo? Seus aviões eram lentos demais! Após três anos de lutas e vitórias, o regimento se dissolveu e todas voltaram a suas funções civis.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.tribunaribeirao.com.br/site/bruxas-da-noite-a-vida-das-aviadoras-sovieticas-na-segunda-guerra-mundial/"><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="600" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Bruxas-da-Noite-2-1.png" alt="" class="wp-image-3269" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Bruxas-da-Noite-2-1.png 900w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Bruxas-da-Noite-2-1-300x200.png 300w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Bruxas-da-Noite-2-1-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a></figure></div>



<p>A história das Bruxas da Noite, deve ser conhecida por todas nós pois a estrutura machista da nossa sociedade, apagou as memórias dessas guerreiras. Como em Ragnarök, tal qual as Valquírias, as jovens russas preparavam o exército soviético para o dia de enfrentamento com os gigantes alemães, atacando silenciosamente, insidiosamente, suavemente. Como as Valquírias, as Bruxas da Noite, planando suavemente, escolhiam aqueles que deveriam morrer. Elas são, certamente, a representação dos espíritos guerreiros femininos.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="600" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Bruxas-da-Noite-3-1.png" alt="" class="wp-image-3271" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Bruxas-da-Noite-3-1.png 900w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Bruxas-da-Noite-3-1-300x200.png 300w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Bruxas-da-Noite-3-1-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></figure></div>



<p class="has-text-align-right"><em>Morgana Leal</em></p>



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<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/pedras-de-protecao/">Pedras de Proteção</a></li><li><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/invocacao-poetica-para-ostara/">Invocação Poética para Ostara </a></li></ul>
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		<title>Sobre livros, Mas não só</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Coletivo Feminista Nisia Floresta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Aug 2021 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[empoderamento feminino]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[interseccionalidade]]></category>
		<category><![CDATA[luta das mulheres]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você sabia que desde muitos tempo, boa parte dos homens não lêem livros escritos por mulheres? Venha entender mais sobre esse tema.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Sobre livros, Mas não só</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>Dizer que um homem é heterossexual implica somente no fato de que ele mantém relações sexuais exclusivamente com o sexo oposto, ou seja, mulheres. Tudo ou quase tudo que diz respeito ao amor, a maioria dos homens heterossexuais reservam exclusivamente para outros homens. As pessoas que eles admiram, respeitam, adoram, reverenciam, a quem honram, imitam, idolatram e formam profundos vínculos, a quem estão dispostos a ensinar e com quem estão dispostos a aprender, e cujo respeito, admiração, reconhecimento, honra, reverência e amor eles desejam, essas são, esmagadoramente, outros homens. Nas suas relações com as mulheres, o que passa por respeito é bondade, generosidade ou paternalismo, o que passa por honra é a remoção do pedestal. Das mulheres querem devoção, serviço e sexo. A cultura heterossexual masculina é homo afetiva, ela cultiva o amor pelos homens</em></p><cite>Marilyn Frye</cite></blockquote>



<p>A citação acima, da filósofa e teórica feminista estadunidense Marilyn Frye, vive retornando à minha vida, e desta última vez foi por conta de uma matéria do jornal inglês The Guardian, chamada “Porque tão poucos homens leem livros escritos por mulheres?”<sup>2</sup>. A própria autora do artigo se identifica como MA Sieghart, não Mary Ann Sieghart, seu nome completo, e justifica: “porque eu realmente quero que homens também leiam isto”. O mecanismo, nada contemporâneo, vem desde George Elliot, pseudônimo de Mary Ann Evans, romancista britânica nascida em 1819, e George Sand, pseudônimo de Amandine Aurore Lucile Dupin, romancista francesa nascida em 1804, que se utilizaram do expediente do pseudônimo masculino, e com isso, persuadir homens a lerem suas obras. Exemplo anacrônico? Pense em JK Rowling, autora do best seller juvenil Harry Potter; E.L. James, autora do hit “Cinquenta tons de Cinza”.&nbsp; O apagamento do gênero nas autoras contemporâneas é mais sutil, mas não deixa de ter a mesma raiz das primeiras autoras. Mais de um século depois. Donde a citação de Frye mais uma vez me veio à memória.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/07/1-Sobre-livros-–-mas-não-só-1.jpg" alt="" class="wp-image-3153" width="580" height="326" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/07/1-Sobre-livros-–-mas-não-só-1.jpg 824w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/07/1-Sobre-livros-–-mas-não-só-1-300x169.jpg 300w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/07/1-Sobre-livros-–-mas-não-só-1-768x432.jpg 768w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/07/1-Sobre-livros-–-mas-não-só-1-480x270.jpg 480w" sizes="(max-width: 580px) 100vw, 580px" /><figcaption><em>Amandine Aurore Lucile Dupin (George Sand) e Mary Ann Evans (George Eliot): duas escritoras que utilizaram pseudônimos masculinos para serem levadas a sério pelo público masculino.</em></figcaption></figure></div>



<p>O que fica subjacente a essa decisão de escritoras omitirem seu gênero é que, para despertar a empatia de um homem a um determinado produto cultural (e não só, essa empatia serve-se a qualquer <em>locus </em>social), é preciso a princípio ser também um homem. &nbsp;O parça. O brother. O mano com quem se divide a cerveja, o jogo de futebol, a amizade verdadeira – há amizade verdadeira entre um homem e uma mulher heterossexuais? Camila Rufato Duarte sabiamente escreve para o portal Catarinas no artigo “<a href="https://catarinas.info/homens-amam-outros-homens-o-olhar-para-a-mulher-e-apenas-sexual/">Homens amam outros homens</a>”: </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>“Para homens, mulheres não servem para ser amigas. Muitos se casam e, mesmo tendo escolhido dividir a vida com aquela mulher, nem de perto a considera uma amiga. Quantos amigos homens cis e héteros você tem ou já teve? Desses, quantos te admiraram sem te desejar sexualmente?”</em></p><cite>Camila Rufato Duarte</cite></blockquote>



<p>Se olharmos para tempos ainda mais remotos, na cultura grega clássica, as mulheres são seres secundários (ainda lutamos contra isso, é fato), equiparadas socialmente aos escravos. A efervescência intelectual do período era uma intelectualidade exercida, praticada e partilhada por, para e entre homens. Uma imensa broderagem, essa prática que, em 2021, significa a relação entre homens heterossexuais que curtem outros homens, mas não se autodenominam homossexuais, muitos com posicionamento de extrema direita e/ou parte do movimento masculinista, que defende a supremacia masculina dentre outros valores retrógrados ligados a gênero, como o “pensador” Jack Donovan.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="232" height="358" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-Sobre-livros-–-mas-não-só-1.png" alt="" class="wp-image-3155" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-Sobre-livros-–-mas-não-só-1.png 232w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/07/2-Sobre-livros-–-mas-não-só-1-194x300.png 194w" sizes="(max-width: 232px) 100vw, 232px" /><figcaption><em>Detalhe de ânfora ateniense datada de V a.C.</em></figcaption></figure></div>



<p>Da Antiguidade clássica ao século XXI, a mesma irmandade instintiva, ancestral, rede invisível que Frye resume magistralmente. Ler esta citação pela primeira vez, anos atrás, foi para mim uma imensa epifania. “<em>A cultura heterossexual masculina é homoafetiva” – </em>a partir daí muitas questões relacionadas que eu alimentava, sem resposta, foram tomando forma.&nbsp;</p>



<p>Voltando à matéria instigadora deste artigo, que traz a cena literária como embasamento, é sobre este recorte que passo a falar, já que a acompanho e dela faço parte, apesar da transição para qualquer outro espaço social ser válida e plausível. O apagamento de diversas autoras brasileiras é uma marca da nossa história literária – Maria Firmina dos Reis, mulher, negra, nordestina, primeira romancista brasileira (lançou “Úrsula”, romance abolicionista em 1859), por exemplo, foi esquecida por décadas. Muitas outras escritoras tiveram o mesmo destino, talvez nem todas venham a ser redescobertas. Por outro lado, vem ocorrendo uma maior participação nestes espaços das ditas minorias (não gosto do termo já que se relaciona a uma maioria numérica; uso-o aqui porque é como se consolidou o termo utilizado para grupos sociais diminuídos em suas mais diversas esferas de participação, importância e valoração social). Porém, sinto que por ora, embora seja animador o cenário de ampliação da participação das mulheres nestes eventos, somos ainda uma certa “cota”. Bem creio que alguns homens a cargo de curadoria em cultura devem lá pensar na “necessidade” de chamar negros, indígenas, mulheres, representantes LGBTQIA+. Necessidade aqui vai entre aspas porque irônica. Porque muita vez me soa mais como um item de checklist para passar ileso pelo crivo do espírito da época, no qual mulheres, negros e indígenas e LGBTQUIA+ têm justamente reclamado seus espaços de participação na sociedade.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="519" height="354" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/07/3-Sobre-livros-–-mas-não-só-1.jpg" alt="" class="wp-image-3157" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/07/3-Sobre-livros-–-mas-não-só-1.jpg 519w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/07/3-Sobre-livros-–-mas-não-só-1-300x205.jpg 300w" sizes="(max-width: 519px) 100vw, 519px" /><figcaption><em>Formação inicial da Academia Brasileira de Letras, cujo Regimento Interno teve o artigo relacionado à elegibilidade alterado para “os membros efetivos serão eleitos, dentre os brasileiros, do sexo masculino”, após a tentativa de entrada de escritoras.</em></figcaption></figure></div>



<p>Porém: quanto da escolha por esses atores sociais em mesas de discussão, lançamentos, publicações, peças publicitárias etc. é impulsionado por uma consciência genuína de reparação e mudança de discurso, quanto é impulsionado por uma pressão do ter que fazer tais escolhas para obedecer a uma agenda social? Quantos homens, acaso não houvesse essa demanda, não permaneceriam lendo, escolhendo, elogiando, homenageando apenas seus pares? Ainda bem, também, que muito mais mulheres estão à frente dessas curadorias. Mas caminhamos um percurso que me parece por vezes ainda didático.</p>



<p>À parte o teor analítico entre o conceito de Frye e a literatura, o perigo real reside sobre a construção de uma violência institucional que considera, valoriza e protege pessoas que estão dentro dessa possibilidade única de existir: homem, heterossexual (e porque não acrescentar, branco). É a mulher enquanto anexo do existir, penduricalho sexual, como quem exibe um relógio ou um carro, um objeto, um <em>status</em>. A coisificação da mulher, porque o amor, esse sentimento máximo, só pode ser reservado a seus iguais. A mulher para o uso, para o abuso, para o silêncio. A narrativa do mundo, sendo deles, torna o mundo deles; a experiência humana reduzida a um ponto de vista único: </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>“Se os homens não lerem livros feitos por e sobre mulheres, eles não conseguirão entender nossa psique e nossa experiência de vida. Eles continuarão a ver o mundo através de lentes quase inteiramente masculinas, com a experiência masculina como padrão.” </em></p></blockquote>



<p>Em que evoluíram os homens que só reforçam dia após dia o enunciado da filósofa Marilyn Frye? <em></em></p>



<p>É sobre livros, mas não só.</p>



<p class="has-text-align-right"><em><strong>Michele Santos – Coletivo Feminista Nísia Floresta</strong></em></p>



<p></p>



<p>BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS:</p>



<ol class="wp-block-list" type="1"><li>Frye, Marilyn. ”The Politics of reality: Essays in feminist Theory” &#8211; Marilyn Frye</li><li>Sieghart, Mary Ann. “Why do so few men read books by women?” (“Porque tão poucos homens leem livros escritos por mulheres?”)&nbsp; <a href="https://www.theguardian.com/books/2021/jul/09/why-do-so-few-men-read-books-by-women?s=08">https://www.theguardian.com/books/2021/jul/09/why-do-so-few-men-read-books-by-women?s=08</a></li><li>Duarte, Camila Rufato. “Homens amam outros homens: o olhar para a mulher é apenas sexual” <a href="https://catarinas.info/homens-amam-outros-homens-o-olhar-para-a-mulher-e-apenas-sexual/">https://catarinas.info/homens-amam-outros-homens-o-olhar-para-a-mulher-e-apenas-sexual/</a></li><li>Machado, Rosana Pinheiro. “Pensador da extrema direita, Jack Donovan radicaliza o machismo” <a href="https://theintercept.com/2019/05/27/jack-donovan-machos-em-crise/">https://theintercept.com/2019/05/27/jack-donovan-machos-em-crise/</a></li></ol>



<p>Bernardino, Danilo. “Mulheres úmidas e homens secos: representações de gênero no mundo grego antigo” <a href="https://www.cafehistoria.com.br/mulheres-umidas-homens-secos-genero-na-grecia-antiga/">https://www.cafehistoria.com.br/mulheres-umidas-homens-secos-genero-na-grecia-antiga/</a></p>



<p></p>



<p>Leia Também:</p>



<p>&#8211; <a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/a-inspiracao-da-deusa-mandi/">A inspiração da Deusa Mandí</a></p>



<p>&#8211; <a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/a-criminalizacao-do-aborto/">A Criminalização do Aborto e a Vulnerabilidade da Mulher</a></p>
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		<item>
		<title>O Barba Azul nosso de cada Dia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariana Leal]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 May 2021 09:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Sagrado Feminino]]></category>
		<category><![CDATA[barba azul]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[mulher selvagem]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres que correm com lobos]]></category>
		<category><![CDATA[sagrado feminino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Barba Azul nosso de cada Dia: A figura do Barba-Azul habita a vida de muitas mulheres, na vida real e também a vida psíquica...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>O Barba Azul nosso de cada Dia</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p><em>A mulher precisa penetrar nas trevas, mas ao mesmo tempo não pode cair irreparavelmente numa armadilha, ser capturada ou morta. Seja no caminho de ida, seja no caminho de volta</em>&#8230;</p><cite>Clarissa Pinkola Estés</cite></blockquote>



<p>Contam as histórias que Barba Azul era um mágico fracassado, um homem gigantesco, com uma enorme barba azul, e que possuía uma queda por mulheres.</p>



<p>Ele cortejava três irmãs ao mesmo tempo, as moças, no entanto, tinham pavor de sua estranha barba, e se escondiam dele. Ele fazia um esforço imenso para convencê-las de sua gentileza e cordialidade, e as convidou para um passeio, chegando em uma carruagem ricamente enfeitada, e as serviu com lindas histórias e um suntuoso banquete.</p>



<p>“Talvez ele não seja tão mal assim”, pensavam ingenuamente as irmãs, encantadas com o dia divertido que tiveram. Ainda assim, as irmãs mais velhas não conseguiam deixar de nutrir suspeitas e temores, jurando que não veriam o Barba-Azul novamente. A mais nova, entretanto, achou que ele poderia ser um homem encantador, e até sua barba parecia menos azul.</p>



<p>Quando o Barba-Azul pediu sua mão em casamento, ela aceitou, e logo mudaram para seu castelo no bosque. Um belo dia ele precisou viajar, e autorizou sua mulher a convidar suas irmãs, sua família para se banquetearem, e deixou com ela as chaves de todas suas despensas, cofres e demais portas do castelo, mas fez um alerta. Havia apenas uma pequena chave que ela não poderia usar de maneira alguma. A mulher concordou e Barba-Azul partiu.</p>



<p>Logo as irmãs vieram para visitá-la, curiosas para conhecer o castelo, e a jovem esposa logo apresentou todos os cômodos, com exceção de um, aquele que a chave misteriosa abria. Imediatamente as irmãs começaram a testar as chaves em todas as portas, divertindo-se a cada descoberta. Encontraram enormes despensas, cofres cheios de dinheiro, muitas riquezas, mas a pequena chave continuava lá, sem abrir nenhuma delas.</p>



<p>Finalmente encontraram uma pequena porta, meio escondida, e certamente era naquela que a chave serviria! Uma das irmãs a abriu sem pestanejar, e deparou-se com uma enorme escuridão. Uma vela foi acesa, e as três mulheres assustaram-se horrivelmente. No quarto havia uma enorme poça de sangue, com ossos e crânios empilhados por toda a parte. Fecharam a porta imediatamente com gritos assustados.</p>



<p>A esposa reparou que a chave agora estava manchada de sangue, e ao tentar limpá-la, percebeu que a mancha não saía de maneira alguma. Ela a escondeu em seu armário, e torceu para que o marido não descobrisse. Barba-Azul retornou ao castelo no dia seguinte, e perguntou à sua esposa com foram as coisas em sua ausência, e pediu suas chaves de volta.</p>



<p>Ao perceber que a pequena chave não estava ali, se revoltou com a esposa e ficou enfurecido! A segurou pelos cabelos, chamando-a de traidora por ter entrado no quarto secreto. Revirou a casa como um louco, e ao abrir o armário da esposa, encontrou roupas manchadas pelo sangue que vertia da chave. Barba-Azul vociferou, e empurrou a esposa pelo corredor, arrastando-a até a porta maldita. Os esqueletos que ali jaziam pertenciam às suas antigas esposas, e agora seria a vez desta mais jovem.</p>



<p>A jovem mulher estava apavorada, e pediu um tempo ao enfurecido Barba-azul. Correu pelas escadas, e foi em direção às muradas do castelo, chamando por suas irmãs. O Barba-Azul esbravejava, para que pudesse dar à mulher o mesmo destino das outras. A mulher gritava em desespero, chamando agora pelos irmãos. O Barba-Azul berrou novamente e começou a subir as escadas, ao mesmo tempo em que os irmãos da mulher entravam no castelo.</p>



<p>No momento em que Barba-Azul a alcançou, os irmãos o encurralaram, e ali, com suas espadas, golpearam, retalharam e mataram o terrível homem, deixando para os abutres o que havia sobrado dele.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>(Adaptação do conto de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Clarissa_Pinkola_Est%C3%A9s">Clarissa Pinkola Estés</a>)</em></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="567" height="375" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_1-1.png" alt="" class="wp-image-2998" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_1-1.png 567w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_1-1-300x198.png 300w" sizes="(max-width: 567px) 100vw, 567px" /></figure></div>



<h2 class="wp-block-heading">E o que essa história tem a nos ensinar?</h2>



<p>A figura do Barba-Azul habita a vida de muitas mulheres. A vida real, infelizmente, mas também a vida psíquica.</p>



<p>Podemos identificá-lo nos altíssimos índices de violência contra a mulher. Maridos, companheiros, chefes, irmãos, pais&#8230; Muitas vezes mascarados por uma falsa gentileza, mas que, no entanto, se revelam cruéis predadores, abusadores e carcereiros.</p>



<p>Sua ação pode ser sutil, como cordas invisíveis que nos controlem como marionetes, sempre com a ameaça de irmos parar a qualquer erro, mortas e escondidas no quarto secreto do Barba-Azul.</p>



<p>No entanto, essa figura sinistra não se manifesta apenas no exterior. Ele habita a psique de todas nós, aguardando o momento de tomar posse de nossos instintos e silenciar a Mulher Selvagem que nos habita. É um inimigo ancestral e altamente destrutivo e deseja apenas uma coisa, superioridade. Ele se alimenta de nossa luz interior, querendo apagá-la a qualquer custo.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="568" height="379" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_2-1.png" alt="" class="wp-image-3000" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_2-1.png 568w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_2-1-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 568px) 100vw, 568px" /></figure></div>



<h2 class="wp-block-heading">Quem de nós não reconhece algum momento da vida neste sombrio enredo?</h2>



<p>Muitas de nós somos capturadas, mesmo que temporariamente, pelo Barba-Azul. &nbsp;Pelo menos uma vez na vida, experienciamos uma ideia irresistível ou uma pessoa deslumbrante nos apanhando de surpresa na calada da noite&#8230;. Assumimos riscos com imprudência, tentando descobrir as coisas por conta própria, assim como a jovem esposa do conto. Mas tudo bem, todas nós começamos assim, ou nos arriscamos em situações que nos parecem encantar, a qualquer tempo de nossas vidas.</p>



<p>O papel das irmãs mais velhas é representar a intuição, que avisa para não confiar no Barba Azul. Mas seu efeito é hipnótico e mesmo que essas vozes sussurrem a verdade, a ingenuidade a respeito do predador impele a mulher mais jovem a acolhê-lo, querer curá-lo, afinal, a barba nem é tão azul assim.</p>



<p>Inevitavelmente encontramos a porta secreta do Barba-Azul, quando perdemos nossas esperanças, nossos instintos de sobrevivência, nossa criatividade, nossa voz, nossos lugares de fala. Quando somos forçadas a acreditar que somos incapazes, menores ou indefesas. A chave misteriosa é a que abre a porta dos segredos, escancara a falsa sensação de liberdade, é a que nos traz de volta à consciência, mesmo quando nossos instintos não estão tão aguçados.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="568" height="379" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_3-1.png" alt="" class="wp-image-3002" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_3-1.png 568w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_3-1-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 568px) 100vw, 568px" /></figure></div>



<p>Até o fato de a curiosidade feminina ser algo trivializado pela sociedade, nos mostra o quão profundo vão os tentáculos do Barba-Azul. A pergunta que devemos nos fazer é: o que vamos fazer depois que a porta estiver aberta?</p>



<p>Este é o ponto da transformação, do amadurecimento, pois os esqueletos escondidos pelo Barba-Azul não se referem exclusivamente aos corpos vitimados pelo feminicídio. São todas as mulheres que foram silenciadas, caladas, menosprezadas. Mulheres que tiveram seus salários reduzidos por serem mulheres, que perderam vagas de emprego por terem filhos, por serem consideradas emocionalmente instáveis por seus hormônios, por serem jovens demais, velhas demais, mulheres demais&#8230;</p>



<p>Este predador terrível se alimenta do poder existente na alma feminina, e quem de nós não conhece ao menos uma mulher que perdeu seus instintos, sua energia vital, forçada a viver em alienação e até situações piores? Talvez você seja essa mulher.</p>



<p>Não tenha medo de investigar, ir fundo, os esqueletos também nos revelam a força indestrutível do poder feminino, e podemos coletar esses ossos, trazendo-os de volta à vida. Quando tomamos consciência disso, podemos nos livrar das amarras do Barba-Azul. Sem estremecer, sem rastejar. Pedimos ajuda aos nossos “irmãos mais velhos”, que podem ser tanto uma presença física, como uma força interior, um guerreiro psíquico, o lado selvagem da psique, que trará de volta nosso potencial combativo e criativo.</p>



<p>E ao enfrentarmos o Barba-Azul, deixando apenas seus ossos aos abutres, simbolicamente, o entregamos aos processos da natureza de degeneração e renascimento. A sua força se vai, pois, ele não pode agir se não está se alimentando da força feminina.</p>



<p>Este Homem Sinistro, a figura do Barba-Azul pode aparecer a qualquer tempo de nossa existência, quer sejamos mulheres jovens ou maduras, quando nos sentimos acuadas, assustadas ou encurraladas, mas se acionamos nossa energia interior para combatê-lo, a Mulher Selvagem vem à tona, nos mostrando a importância da expressão de nossas almas, e colocamos o predador em seu devido lugar. E estamos em uma luta constante contra o Barba-Azul, portanto, agucemos nossos sentidos, e se preciso for, gritemos por reforço, pois nenhuma de nós precisa estar sozinha nessa batalha.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="568" height="379" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_4-1.png" alt="" class="wp-image-3004" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_4-1.png 568w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_4-1-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 568px) 100vw, 568px" /></figure></div>



<p></p>



<p>Referência:</p>



<p>Mulheres que Correm com Lobos</p>



<p>Clarissa Pinkola Estés</p>



<p></p>



<p class="has-text-align-right">Abençoadas Sejam!</p>



<p class="has-text-align-right">Mariana Leal</p>



<iframe style="width:120px;height:240px;" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" frameborder="0" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&#038;OneJS=1&#038;Operation=GetAdHtml&#038;MarketPlace=BR&#038;source=ac&#038;ref=qf_sp_asin_til&#038;ad_type=product_link&#038;tracking_id=bruxasdaquebr-20&#038;marketplace=amazon&amp;region=BR&#038;placement=853252978X&#038;asins=853252978X&#038;linkId=a382032180eb806688dd4c7bf14e4059&#038;show_border=false&#038;link_opens_in_new_window=false&#038;price_color=333333&#038;title_color=0066c0&#038;bg_color=ffffff">
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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="567" height="375" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_5.png" alt="" class="wp-image-3005" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_5.png 567w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/barba-azul_5-300x198.png 300w" sizes="(max-width: 567px) 100vw, 567px" /></figure></div>



<p></p>



<p>Leia Também:</p>



<p><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/a-criminalizacao-do-aborto/">A Criminalização do Aborto e a Vulnerabilidade da Mulher</a></p>



<p><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/espiritualidade-toxica-precisamos-falar-sobre-isso/">Espiritualidade Tóxica: Precisamos falar sobre isso</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Ser professora na pandemia: sobrecargas em meio ao caos</title>
		<link>https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/ser-professora-na-pandemia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Coletivo Feminista Nisia Floresta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Apr 2021 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[empoderamento feminino]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo interseccional]]></category>
		<category><![CDATA[feridas emocionais]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho do professor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ser professora na pandemia: sobrecargas em meio ao caos... questões gerais do que é ser “professora”, no Brasil, durante o período do COVID-19.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Ser professora</strong> <strong>na pandemia: sobrecargas em meio ao caos</strong>.</p>



<p>A pandemia de COVID 19, perdura por mais de 1 ano, e embora não suportemos mais falar sobre ela, nesse momento é inevitável, principalmente, para que possamos refletir um pouco a respeito de algumas questões gerais do que é ser “professora”, no Brasil, durante o terrível momento histórico que estamos atravessando.</p>



<p>Antes de desenvolver de fato essa análise, precisaremos fazer alguns apontamentos acerca da escrita desse texto. As linhas que vocês lerão a partir de agora partem dos pressupostos, reflexões, questionamentos, aprendizados, vivências e dores de uma <a href="https://brasilescola.uol.com.br/sexualidade/cisgenero-transgenero.htm">mulher cisgênera</a>, branca, feminista interseccional, professora de esquerda, paulistana e periférica, ou seja, assim como todos os discursos são ideológicos, esse também será. Sendo pautado pelos marcadores sociais honestamente sinalizados acima.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Considerações extremamente relevantes</h2>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="568" height="379" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/ser_professora_na_pandemia_1-1.png" alt="" class="wp-image-2927" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/ser_professora_na_pandemia_1-1.png 568w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/ser_professora_na_pandemia_1-1-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 568px) 100vw, 568px" /></figure></div>



<p>Outro ponto importante a ser desmistificado para o entendimento dessa escrita é a incômoda e recorrente fala do “dom” de ser professora e do trabalhar “por amor”. Quase nunca escutamos essas colocações quando estamos falando em qualquer outra profissão, entretanto quando lançamos o nosso olhar para a educação e, sobretudo, para as educadoras, elas ganham falaciosos ares de elogio, todavia, não o são e é imprescindível entender essas falas como mais uma das opressões que nos atingem diretamente.</p>



<p>O magistério, como muitas outras profissões, requer horas de estudo para que possamos desenvolvê-lo, isto é, aperfeiçoar metodologias e didáticas que possam contribuir de forma efetiva com o aprendizado de nossos alunos, em outras palavras, estudamos de forma ininterrupta em prol de técnicas para realizar o nosso ofício da melhor maneira possível e isso não é nenhum dom, e sim: trabalho duro!</p>



<p>Da mesma forma, trabalhamos para receber os nossos salários e, também, lutamos para melhorar as nossas condições salariais, como qualquer outro trabalhador que entende a urgência da luta de classes dentro do sistema capitalista, ou seja, não trabalhamos “por amor” e isso não tira a importância de nosso papel na sociedade e tampouco o valor que damos à educação. Assim, somente gostaríamos de reiterar que comentários aparentemente inocentes como os supracitados apenas servem para minimizar a nossa dedicação e a nossa competência profissional.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Professora</strong> <strong>na pandemia</strong>: Ferida latente</h2>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="568" height="379" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/ser_professora_na_pandemia_2-1.png" alt="" class="wp-image-2928" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/ser_professora_na_pandemia_2-1.png 568w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/ser_professora_na_pandemia_2-1-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 568px) 100vw, 568px" /></figure></div>



<p>Após essas importantes considerações, vamos de fato ao assunto o qual pretendemos debater aqui. Há mais de doze meses, nossas rotinas mudaram e o ensino presencial foi aos poucos sendo substituído de forma infelizmente necessária, nesse momento, pelo ensino à distância. Por conta disso, tivemos que reaprender a ser professoras, nos desgastando mais e mais a cada dia, e quase sempre acreditamos que apesar de tudo, não estávamos fazendo o suficiente.</p>



<p>Nesse sentido, em meio ao caos de estarmos vivendo uma situação sem precedentes de forma extremamente atribulada, solitária e incerta, estávamos, também, sendo medidas o tempo todo por uma “régua” empunhada por um sistema falho que deposita todos os problemas de uma sociedade imensuravelmente desigual na escola e leva a população a acreditar que de nós virá a solução, cerceando de forma simbólica as nossas liberdades individuais. Afinal de contas, nada mais normal do quer ter medo diante do desconhecido, principalmente, quando esse desconhecido é um vírus letal, não é mesmo? Porém, não nos permitem nem mesmo o medo.</p>



<p>E esse processo, no mínimo violento, foi alimentado de forma perversa pela imprensa, que muitas vezes apresenta alguma tentativa meio que desesperada de uma educadora, para atingir os seus alunos, como um exemplo a ser seguido.  Eximindo assim o poder público de suas obrigações e exigindo cada vez mais de nós, peças menores no tabuleiro social.</p>



<p>O resultado dessas violências foram o aumento do estresse, crises de ansiedade/pânico, estima por si mesmas, caindo a níveis baixíssimos, sobrecarga de trabalho, queda vertiginosa em relação a qualidade de vida, desentendimentos com as outras pessoas com as quais dividimos a casa, diminuição da conexão com cônjuges, filhos e outros familiares, falta de esperança/perspectivas em relação ao futuro, culpa, entre outras adversidades e tudo isso gerou profundas feridas em nossa saúde emocional, feridas essas que demorarão muito a cicatrizar.</p>



<p>Lógico que entendemos o privilégio de poder exercer a nossa função por meio do <em>home office</em> e até mesmo o direito de greve, em situações extremas. Assim como, entendemos que estão sim, havendo sérios prejuízos pedagógicos e emocionais aos nossos alunos nesse momento. Prejuízos emocionais que se estendem a todas nós, também. Todavia, nenhum prejuízo pode ser maior do que a vida do indivíduo e, portanto, a máxima “ano letivo se recupera, vidas não”, é uma verdade inegável.</p>



<p>Outra verdade incontestável é que a educação é essencial. Sim, concordamos plenamente com essa fala e consideramos que ela deveria ter sido vociferada de forma repetitiva muito antes da pandemia, muito antes de que o estar em sala de aula representasse também uma ameaça as nossas vidas, as vidas de nossos alunos e de seus e de nossos familiares. Por conta disso, professores fazem greve não apenas por salários ou pela própria vida, como está acontecendo hoje na cidade de São Paulo, mas fazem greve pedindo melhores condições de trabalho, lutam para que haja sim, merenda de qualidade, acesso à tecnologia e até segurança nas escolas e em seu entorno, isto é, professores não são “vagabundos” que estão “recebendo sem trabalhar”, muito pelo contrário. Praticamente dobraram a sua jornada durante o período de ensino remoto, muitas vezes de forma altruísta, atendendo os seus alunos: fora do seu horário de trabalho e até mesmo aos fins de semana, por conta das dificuldades deles em conseguir acesso à internet. E mesmo no atual ensino hibrido, em que precisamos nos revezar entre a sala de aula e as aulas virtuais, as demandas não diminuíram, muito pelo contrário, só fazem aumentar. Lembrando que todas as decisões que envolvem a educação são tomadas de cima para baixo, ou seja, a nossa opinião e as nossas experiências não foram levadas em consideração nenhuma vez.</p>



<p>Vale lembrar que quando falamos em “professoras”, o nível de exigências se torna muito maior, uma vez que muitas de nós também somos mães e precisamos auxiliar os nossos próprios filhos no ensino à distância e assim como a educação dos filhos, o trabalho doméstico e o cuidado com pais e avós são na maioria das vezes incutidos compulsoriamente a nós, mulheres.  Desse modo, somos obrigadas a seguir em frente como se fossemos super-heroínas do mundo Marvel e não seres humanos desgovernados, no sentido mais lato da palavra. Afinal, a máquina não pode parar!</p>



<h2 class="wp-block-heading">Libertando-se de culpas ilusórias</h2>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="568" height="379" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/ser_professora_na_pandemia_3-1.png" alt="" class="wp-image-2931" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/ser_professora_na_pandemia_3-1.png 568w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/04/ser_professora_na_pandemia_3-1-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 568px) 100vw, 568px" /></figure></div>



<p>Consequentemente, vimos a emancipação feminina sendo resignificada de forma esdrúxula, como mais uma maneira de nos oprimir, e nos levando a acreditar que precisamos “dar conta de tudo” e isso é uma mentira cruel. Ninguém é obrigada a dar conta de nada e não somos fracas, ou menos competentes por estar cansadas, pedir ajuda, dizer não, ou exigir que outras pessoas exerçam efetivamente os seus papéis sejam profissionais ou familiares.       Mais de um ano depois do início dessa triste situação que estamos atravessando a passos lentos, sem guias e tendo na vacina uma luz ainda tímida e distante, ainda nos culpamos por não ter feito algo a mais quando fizemos o máximo que podíamos naquele momento, por não conseguirmos conscientizar os nossos alunos e a nossa comunidade acerca dos perigos do Covid-19<strong>, </strong>por não mobilizarmos os nossos colegas na construção de uma greve sanitária legitima e urgente, pois nos foi posto abusivamente que tínhamos que fazer tudo isso, já que reivindicamos direitos iguais aos dos homens. Cobranças essas impostas por uma sociedade que ainda não legitimou as nossas escolhas e que nos coloca em uma eterna posição subserviente alimentando nossas dúvidas e conflitos acerca de nós mesmas, ou seja, depois de tantas lutas ainda precisamos nos vencer diariamente para entender que acima de tudo somos humanas e, como tal, vamos falhar e está tudo bem, falhar!</p>



<p>Assim sendo, se faz urgente livrar-se de cada padrão que nos foi imposto seja ele o da: &#8220;mulher guerreira&#8221;, o da “melhor mãe do mundo”, o da “rainha do lar”, “da professora abnegada”, ou mesmo o da “profissional bem-sucedida”, uma vez que todos eles nos aprisionam em prol de um modelo inatingível e desumano e assim termino esta reflexão, repetindo Nina Simone, &#8220;Temos a permissão de ser exatamente quem somos”, nem mais e nem menos e isso inclui sermos humanas, falhas, sentirmos medo, não precisarmos dar conta de tudo e nem nos perdoar por nada disso, porque sabemos de antemão que essa culpa não é nossa.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Cris Moreira – Coletivo Feminista Nísia Floresta</em></p>



<p></p>



<p>Leia também do Coletivo Nísia Floresta:</p>



<p><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/a-criminalizacao-do-aborto/">A Criminalização do Aborto e a Vulnerabilidade da Mulher</a></p>



<p><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/a-bruxa-e-o-feminismo/">A Bruxa e o Feminismo</a></p>
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		<title>Qual o espaço do seu Sagrado Feminino?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vilma Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2021 09:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Sagrado Feminino]]></category>
		<category><![CDATA[círculo de mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[cura do feminino]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade da Deusa]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[sagrado feminino]]></category>
		<category><![CDATA[sororidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Qual o espaço do seu Sagrado Feminino? Ele é lugar de Fala! Espaço que precisa garantir o respeito à voz e a fala de cada uma.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Qual o espaço do seu Sagrado Feminino?</strong></p>



<p>O espaço do Sagrado Feminino representa a união das realidades das pessoas reprimidas, oprimidas, violadas, como um espaço de desenvolvimento de uma consciência que dê conta de entender, olhar, escutar, servir, falar&#8230; Sagrado Feminino é lugar de Fala! Espaço que precisa garantir o respeito à voz e a fala de cada uma, respeitosamente. Lugar de curar as dores da alma, não apenas as nossas, as dores sociais também. Curar em nós, o que causa dor no outro e trazer à luz a consciência e o reconhecimento de que “todas” perdem, quando uma perde, fortalecendo a necessária <a href="https://www.politize.com.br/sororidade/#:~:text=Em%20resumo%2C%20sororidade%20diz%20respeito,ouvir%20com%20respeito%20suas%20reivindica%C3%A7%C3%B5es.&amp;text=Portanto%2C%20a%20sororidade%20%C3%A9%20um,pautar%20um%20sentimento%20de%20uni%C3%A3o.">sororidade</a>.</p>



<p>Para lidar com as extremidades das circunstâncias da vida é preciso equilíbrio interno, a psique humana balança com o pêndulo da vida nos obrigando ao movimento, à constante maturidade, constante entendimento, constante busca, constante mudanças&#8230;</p>



<p>O Sagrado Feminino, criou um espaço em que a Deusa, representa para a mulher, conexão e consciência de si mesma, da Natureza, da Divindade, vencendo estereótipos, barreiras internas, crenças limitantes impostas por uma cultura patriarcal.</p>



<p>Há quem pratique o Sagrado Feminino e desconheça o Feminismo, assim como há feministas que desconhecem o Sagrado Feminino. Ambos os movimentos conduzem à uma consciência ampliada: acabar com o sexismo, a opressão, a manipulação, a violência, as feridas, a exploração, o preconceito, a discriminação contra a mulher.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="568" height="379" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/03/sagrado_1-1.png" alt="" class="wp-image-2897" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/03/sagrado_1-1.png 568w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/03/sagrado_1-1-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 568px) 100vw, 568px" /></figure></div>



<p>Vivemos um tempo necessário de resgate de valores: amor, respeito, empatia, gentileza, sororidade, cooperação, descolonização do pensamento, fortalecimento do nosso território integral&#8230; aqui do meu interessante ponto de vista, enxergo o Feminismo Negro&#8230; a Umbanda&#8230; o Sagrado Feminino num movimento convergente e inteligente, como lugares de resistência, luta, expansão de consciência, sempre!</p>



<p>A Deusa vive, é brasileira e habita a quebrada com toda certeza! Elas caminham percursos longos, para encontrar outras mulheres e curarem-se a si mesmas, são caminhos de beleza e empoderamento, caminhos de parcerias e assim salvarão o mundo. Elas caminham com as chaves nas mãos, as chaves abrem conexões, abrem oportunidades de compreensão, de valorização. É urgente para o planeta que as mulheres se curem, para curar a vida!</p>



<p>A busca da Espiritualidade da Deusa está dentro de nós, ao nosso redor, na terra, na água, no ar, no fogo, na Natureza, como imanência e transcendência, logo somos Deusas!</p>



<p>Manifesto a Divindade nos meus espaços pela intuição, geração, criatividade, imaginação, feeling, na conexão profunda do interno e o externo. Internamente são os Arquétipos, no profundo feminino inconsciente, criado em nossa mente através da cultura, determinando nossas crenças, pensamentos, emoções e comportamento, manifestando todas as faces, somos múltiplas, diversas, contraditórias, luminosas e sombrias&#8230;</p>



<p>Cada mulher que conhece os arquétipos, é capaz de reconhecê-los em si mesma e em outras mulheres&#8230; respeitando e honrando.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="568" height="379" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/03/sagrado_2-1.png" alt="" class="wp-image-2899" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/03/sagrado_2-1.png 568w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/03/sagrado_2-1-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 568px) 100vw, 568px" /></figure></div>



<p>Não há nada que incomode mais o Patriarcado do que uma mulher bem resolvida, empoderada e vulnerável&#8230; mulheres assim abalam as estruturas injustas, essas mulheres somos nós e vamos derrubar o Patriarcado&#8230; não porque odiamos os homens, nada disso! Justamente porque amamos todas as nossas relações, amamos as humanidades, amamos todos os seres diversos, é pela vida, por todas as formas de vida&#8230;</p>



<p>O Patriarcado não cabe mais nesse mundo, com sua diversidade e multiplicidade, o amor pede passagem! Sou Vilma Rocha, assim falei.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Vilma Rocha</em> &#8211; <em>Yalorixá Jnanavam</em></p>



<p></p>



<p>Leia também de Vilma:</p>



<p><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/qual-a-sua-medicina/">Qual a sua Medicina?</a></p>



<p><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/voce-veio-de-onde/">Você veio de onde?</a></p>



<p><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/minha-historia-com-as-bruxas-da-quebrada/">Minha História com as Bruxas da Quebrada</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A Criminalização do Aborto e a Vulnerabilidade da Mulher</title>
		<link>https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/a-criminalizacao-do-aborto/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Coletivo Feminista Nisia Floresta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Feb 2021 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[aborto]]></category>
		<category><![CDATA[bruxas da quebrada]]></category>
		<category><![CDATA[coletivo feminista]]></category>
		<category><![CDATA[corpo livre]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[legalização do aborto]]></category>
		<category><![CDATA[relato de aborto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Falar de aborto é sempre difícil, mas é necessário: A Criminalização do Aborto e a Vulnerabilidade da Mulher.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>A Criminalização do Aborto e a Vulnerabilidade da Mulher</strong></p>



<p>Falar de aborto é sempre difícil, não é simples e muito menos confortável –&nbsp;&nbsp; de falar e ouvir – mas é necessário, porque é um fato: falando ou não, legalizado ou na marginalidade, as mulheres abortam!</p>



<p>É importante entendermos que aborto é a interrupção da gravidez, podendo ser precoce, quando ocorre antes da 13.ª semana de gravidez, ou tardio, entre a 13.ª e a 22.ª semana. E que existem diferentes tipos de abortos: o espontâneo, o acidental e o induzido.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A Criminalização do Aborto</strong></h2>



<p>Em nosso país, um aborto induzido é considerado um crime contra a vida; tal regimento é disciplinado entre os artigos 124 e 128 do Código Penal desde o ano de 1984.O aborto induzido só é legal em casos específicos, como estupro, risco de morte da mãe e se o feto for anencefálico. Ainda assim, mesmo sendo considerado legal, nestes casos citados, há vários entraves para ele ocorrer de fato: falta de informações para quem possui o direito, falta de acolhimento pela parte médica, falta de estruturas em alguns estados e cidades, além do preconceito e julgamento pela sociedade. Mas isso não muda o fato de que as mulheres continuam abortando.</p>



<p>De acordo com a Pesquisa Nacional de Aborto 2016<sup>(1),</sup> estima-se que no Brasil aproximadamente 20% das mulheres de até 40 anos já abortou. Mas a questão é, por que a campanha pela legalização, ou melhor, pela descriminalização, se as mulheres abortam mesmo sendo ilegal?</p>



<p> Respondemos esta pergunta quando fazemos outra,  a seguir.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Quem são as mulheres que abortam?</h2>



<p>Um estudo financiado pela FIOCRUZ <sup>(2)</sup>, indica que são as adolescentes as maiores vítimas do abortamento, pois são as que mais morrem devido ao aborto, feito sem estrutura sanitária, de forma marginalizada, largada à própria sorte. Além disto, o estudo faz um alerta importantíssimo para o debate, quando analisamos o recorte racial, percebemos que as mulheres negras, pardas e indígenas – 13% a 25% – são as que mais efetuam o aborto em relação a brancas, cujo índice fica em torno de 9%.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="600" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/02/aborto_1-1.jpg" alt="" class="wp-image-2872" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/02/aborto_1-1.jpg 900w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/02/aborto_1-1-300x200.jpg 300w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/02/aborto_1-1-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></figure></div>



<p>Essas pesquisas, estudos e dados nos revelam que existe um perfil de mulheres que procuram o aborto e são vitimadas por esta legislação que as jogam na ilegalidade, e são as mais vulneráveis, pobres, negras, periféricas e muito jovens. Precisamos nos aprofundar mais neste perfil, mas acho que é necessário além de dados, tentarmos um exercício de empatia, nos colocar no lugar desta mulher que aborta na ilegalidade &#8211; isto é, se esta já não é a sua realidade. Convido vocês a abrirem o coração e a cabeça, para acompanharem este relato da Carolina <sup>(3):</sup></p>



<p>&#8220;<em>Aconteceu num relacionamento que era recente e eu estava iniciando num trabalho que era também um início de estabilidade financeira, materialização de uma luta pessoal. O parceiro queria o filho, mas quando soube que eu tinha uma opinião contrária, não ofereceu nenhum suporte: estar ao lado, compreender, ajuda financeira, nada. Aliás, financeiramente ele não tinha condições de sustentar os gastos de uma criança, mas nem chegou a cogitar isso. Muito provavelmente eu me tornaria mais uma “pãe” brasileira caso resolvesse seguir em frente com a gestação.</em></p>



<p><em>Me vi sozinha com a situação e ao mesmo tempo não me senti à vontade para contar para ninguém. Vergonha, culpa, medo, tanta coisa junta! A internet foi onde consegui encontrar uma ONG que providenciava medicação, orientação e alertas de possíveis riscos para um aborto seguro, recomendada por grupos pró-aborto que existiam entre as comunidades do antigo Orkut. Por ser um envio internacional, a medicação demoraria para chegar, e durante esse período de espera eu seria ainda por um tempo uma mulher grávida: inchaço e sensibilidade, muito sono, alguns enjoos. E a angústia e ansiedade pela chegada – ou não – dos remédios enquanto o tempo passava (não poderia ultrapassar doze semanas de gravidez).</em></p>



<p><em>O procedimento foi realizado na casa de uma amiga, seguindo as orientações. Dor, cólicas, sangramento intenso e a cabeça que fica atordoada de medo; medo de não dar certo, medo da ilegalidade, medo de ser dona do seu próprio corpo.</em></p>



<p><em>Nunca me arrependi. Por outro lado, não posso dizer que sempre foi confortável conviver com esse fato. O então pai contou a outras pessoas sobre o aborto com o intuito de que eu fosse julgada (o relacionamento acabou ainda durante os debates sobre o que iríamos fazer). A médica que me atendeu após o procedimento fez um inquérito como se precisasse provar que o aborto do qual tratava tinha sido mesmo espontâneo, talvez com o intuito de fazer eu me sentir uma criminosa (precisei tomar medicação posterior, mas não tive complicações). Psicologicamente tratei desse tema na terapia, anos depois (e acho importante reconhecer que este é um privilégio que a imensa maioria das mulheres que passam pelo mesmo processo não tem acesso). Hoje estou em paz com a decisão. O discurso conservador que iguala a mulher que aborta a mulher que assassina tem o poder de se enraizar na gente, por mais informação que a gente tenha. Acolhimento, escuta, escolha, são essas as coisas que a mulher com uma gestação indesejada precisa. O julgamento e a criminalização já vem desde o mito de Eva, mas a gente sabe a que interesses essas ações servem, mesmo em 2021</em>.&#8221; </p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="600" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/02/aborto_2-1.jpg" alt="" class="wp-image-2874" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/02/aborto_2-1.jpg 900w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/02/aborto_2-1-300x200.jpg 300w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/02/aborto_2-1-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></figure></div>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vulnerabilidade da Mulher</strong></h2>



<p>Carolina esteve numa situação que muitas outras mulheres já estiveram e que muitas outras estarão, a gravidez indesejada. As vozes que defendem a descriminalização do aborto, para que ele seja feito de forma segura e gratuita, fazem isso para dar uma chance de escolha segura para mulheres como a Carolina, e muito mais, para proteger muitas outras mulheres que não possuem a estrutura e os meios que lemos no relato, como vimos nos dados, as maiores vítimas de abortamento são mulheres pobres, sem acesso aos meios seguros para o procedimento.</p>



<p>Ninguém defende o aborto, esse é um erro de pensamento, ninguém quer passar por um trauma, como relatado, mas o que existe é uma defesa pela vida das mulheres, principalmente pelas vidas mais vulneráveis. Que diante de uma situação difícil, sem apoio, são tratadas como criminosas pelo Estado, por procurarem uma alternativa, que além dos efeitos físicos, deixa marcas emocionais. Já é fato que a proibição não impede que o aborto ocorra, então por que ainda relegar à insegurança, à criminalidade e à morte essas mulheres?</p>



<p>Para a Carolina e para todas as mulheres que passaram pelo aborto, deixo aqui minha solidariedade e minha luta, não desistiremos desta luta dentro do movimento feminista, lutaremos como nossas <em>Hermanas</em> argentinas para que todas nós tenhamos direito de decisão, e que seja uma decisão segura, gratuita e legal.</p>



<p>Para as Mulheres que estão passando por esta questão neste momento, deixo aqui duas indicações de grupos de apoio: <a href="https://womenhelp.org/pt/">Women Help Women</a> é uma organização ativista sem fins lucrativos cujo trabalho é a promoção de acesso ao aborto seguro.</p>



<p><a href="https://www.womenonweb.org/pt/i-need-an-abortion">Women on Web</a>, organização com o objetivo de compartilhar informações sobre o direito a acessar abortos seguros e sobre métodos contraceptivos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Tenho um grito entalado na garganta.<br>um grito denso, volumoso<br>Um grito ardido, de veias saltadas<br>E hoje ele vai sair.<br>-O corpo é meu!</p><cite>Jenyffer Nascimento, O Grito</cite></blockquote>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="568" height="458" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/02/aborto_3-1.jpg" alt="" class="wp-image-2876" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/02/aborto_3-1.jpg 568w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/02/aborto_3-1-300x242.jpg 300w" sizes="(max-width: 568px) 100vw, 568px" /></figure></div>



<p class="has-text-align-right"><em>Texto de Kamila Monteiro &#8211; Coletivo Feminista Nísia Floresta</em></p>



<p>(1) <a href="https://www.scielo.br/pdf/csc/v22n2/1413-8123-csc-22-02-0653.pdf">https://www.scielo.br/pdf/csc/v22n2/1413-8123-csc-22-02-0653.pdf</a></p>



<p>(2) <a href="https://www.scielo.br/pdf/csp/v36s1/1678-4464-csp-36-s1-e00188718.pdf">https://www.scielo.br/pdf/csp/v36s1/1678-4464-csp-36-s1-e00188718.pdf</a></p>



<p>(3) Nome fictício, para preservar a relatante.</p>



<p></p>



<p>Leia também:</p>



<p><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/so-bem-acompanhada/">Só, bem acompanhada</a></p>



<p><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/a-bruxa-e-o-feminismo/">A Bruxa e o Feminismo</a></p>
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		<title>Só, bem acompanhada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Coletivo Feminista Nisia Floresta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Nov 2020 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[bruxas da quebrada]]></category>
		<category><![CDATA[empoderamento feminino]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo interseccional]]></category>
		<category><![CDATA[solidão feminina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Que minha solidão me sirva de companhia. Que eu tenha a coragem de me enfrentar. Só, bem acompanhada, reflexão trazida por Michele Santos.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Só, bem acompanhada</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Que minha solidão me sirva de companhia. Que eu tenha a coragem de me enfrentar. Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.</p><cite>Clarice Lispector</cite></blockquote>



<p>Muito antigamente, lá nos tempos da filosofia de Platão, um texto chamado “O banquete” ¹ trazia, nas palavras de Aristófanes, um dos convidados do “evento” altamente etílico, uma teoria/mitologia interessante, a qual afirmava que, a princípio, existiam seres completos, feitos ambos de vagina e pênis, os andróginos, tão autossuficientes,“ de uma força e de um vigor terríveis, e uma grande presunção eles tinham”, que despertaram a ira dos deuses, que, por conseguinte, resolveram cortá-los em dois, e desde então ambos vivem à procura de sua outra “metade”. Eis aí &#8211; o mito do amor romântico já era pauta de investigação em tempos muito remotos.</p>



<p>Tantos séculos se passaram e tal ideia ainda se constitui como verdade a muitas pessoas. A quem não acha sua “metade”, resta-lhe a solidão. E à mulher, foco deste texto, paira uma culpabilização e julgamento velados por uma demanda social não cumprida. Nada de novo no front. Desde Eva, a culpa sempre recai sobre a mulher. Através dos tempos, a solidão vem sendo encarada de modo distinto em cada período sócio-histórico. Já esteve presente, de maneira positiva, nos processos de conexão com o divino, ou de maneira punitiva nos processos de cárcere e tortura², e atualmente, diz-se ser um dos males da modernidade, marcada por individualismo e interações vazias. Seja autoimposta ou involuntária, a solidão, no senso comum, ainda é vista como digna de pena e fator de cobrança social.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="384" height="300" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/11/HopperAutomat.jpg" alt="" class="wp-image-2683" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/11/HopperAutomat.jpg 384w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/11/HopperAutomat-300x234.jpg 300w" sizes="(max-width: 384px) 100vw, 384px" /><figcaption>&#8220;Automat&#8221; de Edward Hopper (1927) &#8211; Por Fonte, Conteúdo restrito, https://pt.wikipedia.org/w/index.php?curid=3195300</figcaption></figure></div>



<p>Voltemos à mulher: o período da menarca marca, culturalmente, a transição da menina para a mulher (resguardando aqui as leis que definem, sabiamente, o estado de vulnerável no direito penal). Desde então, a ex-menina é bombardeada por todos os lados para, assim como no banquete de Platão, buscar sua “metade”.</p>



<p>Não apenas, ela também precisa estar sempre bela, de acordo com os padrões estéticos em voga, ser “educada” (sinônimo para submissa), desejar o casamento, e então os filhos, e assim, cumprir o seu dito papel social a ela reservado, determinantes naturalizados que ainda persistem, apesar de estarmos reconhecidamente na 4ª onda feminista da história social.</p>



<p>Se a mulher é infeliz no casamento, se de fato quis ter os filhos que gerou, se escolheu de verdade seus caminhos ao longo da vida – ou foi moldando suas vontades para atender demandas que não as suas – a mesma sociedade que a cobrou tais cumprimentos para estar de acordo com o ideário social da mulher, decerto não estará presente para acolher essa mulher que agora é amargurada com sua sina pessoal.</p>



<p>E pior, muitas vezes, paradoxalmente, permanece solitária com muitas pessoas ao redor, em ordem de justificar o peso social da constituição familiar imposto pela sociedade (preciso escrever PATRIARCAL? Creio que não). Por outro lado, se esta mulher decide por bem permanecer solteira, e, pior, se virar bem com sua solidão, é certo que ela vai ser considerada por muitas pessoas como uma “freak”, a esquisita, ou em termos mais adaptados a nossos tempos internéticos, “a louca das plantas”, “a louca dos gatos”, e por aí afora. Já aos homens em igual condição, geralmente são ditos como “alma livre”, “garanhão” e outros tantos vernáculos – todos de cunho positivo.</p>



<p>Solidão não é sobre estar desacompanhado, isto é fato. Esse vazio dolorido que é também humano, foi e continuará sendo tema de pesquisas que a psicologia, entre outras ciências, certamente seguirão estudando, ainda mais quando a solidão dos tempos individualistas e de relações líquidas no qual vivemos parece apontar o aumento de depressão e suicídio. O impacto negativo da solidão sobre a saúde é real. O Reino Unido, inclusive, criou um “Ministério da solidão” em 2018<sup>4</sup>, para auxiliar idosos carentes de interações sociais.</p>



<p>Somos seres coletivos. Propomos aqui um olhar adentro: você já sentiu a pontada fina que a solidão dá? À parte a cobrança social, você, mulher que entendeu o que é solitude, ou seja, aprender a gostar de sua própria companhia, e assim aprendeu a se virar consigo mesma, sai e viaja em sua própria companhia, paga suas próprias contas, troca resistência de chuveiro, botijão de gás, pneu, maneja furadeira de impacto (ou não), “dirijo meu carro, tomo meu pileque, e ainda tenho tempo pra cantar&#8230;” (saudosa Cássia!), você deve muitas vezes entender o que a solidão faz na gente.</p>



<p>Um troço agudo que as plantas, os gatos, os livros, o vinho, a Netflix, mesmo os amigos não dão conta de preencher. E às vezes dá até vontade de se render às ideias de metade propostas por Aristófanes, mas se não for pra ser companheirismo, menos pior deixar-se doer. Viver é escolha e sorte, e, óbvio, as leis do desejo, neste texto, enxergam todos os amores possíveis independente de orientação, gênero ou identificação sexual. É o cobertor de orelha, é a conversa solta, é o socorro quando a gente tá no chão, é o outro (ou outra, ou outre) na partilha dos dias, é o carnal para além da cama.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="699" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/11/hopper.morning-sun-1024x699.jpg" alt="" class="wp-image-2684" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/11/hopper.morning-sun-1024x699.jpg 1024w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/11/hopper.morning-sun-300x205.jpg 300w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/11/hopper.morning-sun-768x524.jpg 768w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/11/hopper.morning-sun.jpg 1118w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption>&#8220;Sol da manhã&#8221; de Edward Hopper (1952) &#8211; Fonte: http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/hopper/interior/hopper.morning-sun.jpg</figcaption></figure></div>



<p>Em adendos ainda mais pormenores, há solidões que a sociedade ignora: a <a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/sagrado-feminino-para-quem/">solidão da mulher preta</a> é uma delas. Ao contrário do que as vozes do “racismo reverso” (que não existe, alou), costumam pregar, nada tem a ver com a dificuldade em se achar uma companhia.</p>



<p>Herança da colonização, quando as mulheres escravizadas eram boas para encontros furtivos, ou seja, para o ato sexual, e, consequentemente, filhos renegados – uma pesquisa da Fiocruz³ acerca da ancestralidade genética dos brasileiros revela que a herança materna dos brasileiros é de 36% de nativas africanas (e 34% de nativas originárias) contra 75% por cento de genes europeus – fez a conta? Ou seja, essa herança dá conta de que, não só em nossa genética ancestral, mas ainda hoje, a mulher negra é muitas vezes a mulher ideal quando em quatro paredes, mas não é objeto de desejo que se exiba à família, aos amigos, em redes sociais, à vida, com o orgulho que um par merece, de mãos dadas no parque numa tarde de domingo.</p>



<p>E aqui, importante frisar que não é uma realidade reservada aos relacionamentos não oficializados. Muitas vezes, é a mulher-mãe-solo que resta com as responsabilidades da criação dos filhos, e noutras, casamentos que se regram também por esta régua, a da mulher “escondida” dos olhos sociais, que por não existir, não tem igual valor.&nbsp;</p>



<p>Outra solidão menos mencionada é a da mulher idosa. Muitas delas, mães, que muitas vezes acreditaram no mito/confrontamento social “Como assim, não vai ter filhos? Vai morrer sozinha?” – e muitas delas, sim, morrem sozinhas, abandonadas. Algumas com muitos filhos, inclusive. Findam sendo consideradas “peso”, jogadas pra lá e pra cá entre a prole. Nos países ocidentais, que não possuem a tradição de devoção às pessoas de idade avançada, o cenário só piora. E toda uma vida, que muitas vezes foi de devoção aos filhos, se torna um pesadelo do não-cumprimento da promessa social de que filhos equivalem a cuidados garantidos no futuro. E o que fazer com a dor da não completude, mesmo entendendo que somos inteiras do jeito que somos? Não há lições prontas neste texto, amadas bruxas, o que propomos aqui é diálogo. O que há são caminhos possíveis: cultive-se, a princípio – e isso não tem a ver com enquadrar-se dentro de padrões, sejam eles estéticos e/ou comportamentais. Cultive paixões: quer seja a música, a arte, o artesanato, a escrita, a leitura, os estudos, as causas sociais e políticas, a espiritualidade, a cozinha, os clichês pets &amp; plantas. Busque por coletivas fêmeas de acolhida e troca, e para quando doer, pavimente caminhos de cura, terapia, meditação, autocuidado, espiritualidade. Nem sempre dá certo. Mas só quem tenta sabe se vai dar&#8230;certo mesmo é que a gente sai sempre maior quando (se) enfrenta. Em frente. Sempre.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“No estoy sola, estoy conmigo.”  (Não estou sozinha, estou comigo)</p><cite>Ana Tijoux</cite></blockquote>



<p class="has-text-align-right"><em>Michele Santos, colaboração: Juliana Félix<br>Coletivo Feminista Nísia Floresta</em></p>



<p></p>



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p class="has-text-align-left">(1)PLATÃO. “O banquete”. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000048.pdf</p>



<p>(2)STORR, Anthony. “Solidão: a conexão com o eu”. Ed. Benvirá.</p>



<p>(3)“Estudo com 1200 genomas mapeia diversidade da população brasileira” . Folha de São Paulo. Disponível em: <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2020/09/estudo-com-1200-genomas-mapeia-diversidade-da-populacao-brasileira.shtml?origin=folha">https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2020/09/estudo-com-1200-genomas-mapeia-diversidade-da-populacao-brasileira.shtml?origin=folha</a></p>



<p>(4)“Reino Unido cria secretaria de Estado contra “epidemia” de solidão.” El País. Disponível em https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/17/internacional/1516217665_881811.html</p>



<p>Sugerido: GONÇALVES, ELIANE. “Nem só nem mal acompanhada: reinterpretando a &#8220;solidão&#8221; das &#8220;solteiras&#8221; na contemporaneidade”. Disponível em: <a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-71832009000200009">https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-71832009000200009</a></p>
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		<title>Bruxas da Quebrada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Drica Araújo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2020 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Poesias]]></category>
		<category><![CDATA[bruxaria]]></category>
		<category><![CDATA[bruxas da quebrada]]></category>
		<category><![CDATA[espiritualidade feminina]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia mágica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A palavra rimada é uma das maiores formas de conexão com o Sagrado. Existem feitiços, canções, encantamentos, magia… Bruxas da Quebrada</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><strong>Poesia: Bruxas da Quebrada</strong></p>



<p class="has-text-align-center">As bruxas existem</p>



<p class="has-text-align-center">E acordam cedo para trabalhar</p>



<p class="has-text-align-center">Chegam cansadas em casa</p>



<p class="has-text-align-center">Bem a tempo do ritual lunar</p>



<p class="has-text-align-center">As bruxas resistem</p>



<p class="has-text-align-center">E contam o dinheiro para o mês</p>



<p class="has-text-align-center">Na compra não faltam as plantas</p>



<p class="has-text-align-center">Pro banho de ervas da vez</p>



<p class="has-text-align-center">As bruxas existem</p>



<p class="has-text-align-center">A ninguém fazem mal</p>



<p class="has-text-align-center">Acendem velas coloridas</p>



<p class="has-text-align-center">E têm boldo no quintal</p>



<p class="has-text-align-center">Altares no quarto</p>



<p class="has-text-align-center">Amuletos de cristal</p>



<p class="has-text-align-center">Elas se reúnem em roda</p>



<p class="has-text-align-center">Tocam canções</p>



<p class="has-text-align-center">Fazem feitiços</p>



<p class="has-text-align-center">Também fazem poções</p>



<p class="has-text-align-center">São curandeiras, são ciganas</p>



<p class="has-text-align-center">Se acha que estão distantes</p>



<p class="has-text-align-center">Aí que você se engana</p>



<p class="has-text-align-center">As bruxas estão no Iporanga</p>



<p class="has-text-align-center">Conversando com fadas</p>



<p class="has-text-align-center">E cantando mantra</p>



<p class="has-text-align-center">Estão na Vila São José</p>



<p class="has-text-align-center">Tomando chá de camomila</p>



<p class="has-text-align-center">E fazendo escalda-pés</p>



<p class="has-text-align-center">Estão no Varginha</p>



<p class="has-text-align-center">Preparando o ritual</p>



<p class="has-text-align-center">Fazendo a ceia na cozinha</p>



<p class="has-text-align-center">Estão em Parelheiros</p>



<p class="has-text-align-center">Consagrado rapé</p>



<p class="has-text-align-center">E tomando passe nos terreiros</p>



<p class="has-text-align-center">Estão na Vila Joaniza</p>



<p class="has-text-align-center">Fazendo meditação</p>



<p class="has-text-align-center">Com incenso de artemísia</p>



<p class="has-text-align-center">Estão na Cidade Dutra</p>



<p class="has-text-align-center">As macumbeiras, as wiccas</p>



<p class="has-text-align-center">As budistas e as druidas</p>



<p class="has-text-align-center">Estão no Grajaú</p>



<p class="has-text-align-center">E onde menos esperar</p>



<p class="has-text-align-center">Em todo canto da Zona Sul</p>



<p class="has-text-align-center">Bruxa da quebrada,</p>



<p class="has-text-align-center">Onde você está?</p>



<p class="has-text-align-center">Te desafio no verso</p>



<p class="has-text-align-center">Com seu bairro rimar</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Drica Araújo</em></p>



<p></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="568" height="212" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bruxas-da-quebrada.png" alt="" class="wp-image-2624" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bruxas-da-quebrada.png 568w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/10/bruxas-da-quebrada-300x112.png 300w" sizes="(max-width: 568px) 100vw, 568px" /></figure></div>



<p></p>



<p>Leia também de Drica:</p>



<p><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/o-chamado-da-deusa/">O chamado da Deusa</a></p>



<p><a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/aquela-da-laranja/">Aquela da laranja</a></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/bruxas-da-quebrada/">Bruxas da Quebrada</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br">Respeita as Bruxas da Quebrada</a>.</p>
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		<title>A Bruxa e o Feminismo</title>
		<link>https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/a-bruxa-e-o-feminismo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Coletivo Feminista Nisia Floresta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2020 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Wicca]]></category>
		<category><![CDATA[bruxaria]]></category>
		<category><![CDATA[bruxas]]></category>
		<category><![CDATA[bruxas da quebrada]]></category>
		<category><![CDATA[coletivo feminista]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres da periferia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O feminismo busca resgatar a bruxa do limbo histórico, quebrando os estereótipos que resistem ao longo dos séculos.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>A Bruxa e o Feminismo</strong></p>



<p>É fato conhecido que muitas vertentes feministas, <strong>assumem a figura da bruxa como uma de suas representações</strong>. Não é difícil corrermos nossa timeline e nos depararmos com a frase “Somos as netas das bruxas que vocês não queimaram”, frases como esta, são bastante conhecidas, difundidas e até estilizadas em camisetas entre feministas, mas como e quando essa associação começou?</p>



<p>Podemos responder essa questão numa <strong>perspectiva histórica</strong>. Analisando as transformações históricas pelas quais a imagem da bruxa passou ao longo dos anos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Fenômeno da Caça às Bruxas</h2>



<p>Por séculos a ideia de bruxaria (apesar de Harry Potter) é associada a <a href="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/sob-dominio-da-sombra-mulheres-bruxas-ou-mas/">a<strong>lgo maligno, sendo a mulher a grande imagem da bruxa</strong></a>. Isso está relacionado ao fenômeno histórico conhecido como caça às bruxas ocorrida principalmente na Europa e nas Américas (período colonial) entre os séculos XV e XVII. Durante esse período houve uma massiva campanha judicial realizada pela igreja (católica e protestante) instigado pela classe dominante e permitido pelo Estado, contra a população pobre e seu estilo de vida, e coube às mulheres serem taxadas de bruxas. Esse fenômeno, estudado pelo viés feminista, identificou que esse processo ajudou a <strong>construir no imaginário social o estereótipo da bruxa &#8211;&nbsp; velha, decrépita, feia, malvada &#8211; associado ao demônio, maligno, perigoso</strong>.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="625" height="426" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/09/bruxaefeminismo1-1.png" alt="" class="wp-image-2581" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/09/bruxaefeminismo1-1.png 625w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/09/bruxaefeminismo1-1-300x204.png 300w" sizes="(max-width: 625px) 100vw, 625px" /></figure></div>



<p>Parte desse imaginário se deve a um livro com grande circulação na Europa, nos séculos em que a caça às bruxas estava em alta, chamado de <a href="https://www2.unifap.br/marcospaulo/files/2013/05/malleus-maleficarum-portugues.pdf"><em>Malleus Maleficarum</em></a><em> </em>(traduzido para o português como “O Martelo das Feiticeiras”). Escrito por homens da igreja (dois monges beneditinos, Kramer e Sprenger), funcionou como <strong>manual para “identificar bruxas”</strong>. Apesar dos absurdos contidos no livro, na prática ele reforçou a perseguição às mulheres, especialmente as curandeiras e parteiras, facilmente associadas a mentalidade sobrenatural da época. A obra também enfatizou que mulheres, por sua “natureza”, eram mais propícias a serem bruxas e separou as boas (religiosas, santas, virgens) das más (promíscuas e malignas) além de ser o instrumento jurídico que l<strong>egalizou os interrogatórios (torturas) dos tribunais da inquisição</strong>.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando analisamos o contexto histórico da caças às bruxas, a transição da Baixa Idade Média para o Período Moderno, percebemos que o imaginário da bruxa má, nem sempre existiu, ele foi construído, com especificidades nos países em que houve essa perseguição, sendo importante pontuar que fez parte de um amplo processo de transformações na Europa e Américas. Essas mudanças de ordem econômica, social, cultural, religiosa e científica causaram rupturas em modos de vida de populações pobres, rurais, com fortes vínculos comunitários e de outra relação com a natureza, ou seja, representavam empecilhos para as mudanças que ocorriam e foram de <strong>extrema violência para as mulheres</strong>.</p>



<p>Nas Américas o processo foi <strong>mais terrível,</strong> pois a colonização, associado a essas mudanças e praticada por uma mentalidade europeia de superioridade cultural provocaram verdadeiros epistemicídios e etnocídios (destruição de saberes e destruição dos vínculos com o território) dos povos originários/indígenas. Pouco foi divulgado, em comparação com a Europa, sobre a perseguição às bruxas na Américas, em especial o Brasil, e caberia um outro texto sobre esse tema.</p>



<p>As mulheres julgadas como bruxas, <strong>eram parteiras, curandeiras, entendiam de plantas medicinais, procuradas e estimadas dentro de suas comunidades, possuíam poder social</strong>, já que eram a única possibilidade de atendimento médico dentro de uma comunidade pobre. Essas mulheres aprendiam e ensinavam o ofício umas com as outras, entre as gerações. Pelo tribunal da inquisição foram <strong>caçadas, presas, estranguladas, torturadas, sofriam surras violentas, decapitações de seios, estupros com objetos cortantes e por fim, eram queimadas em espaços públicos</strong>. Em alguns países, como Alemanha e França, usavam madeira verde nas fogueiras, para prorrogar o sofrimento dessas mulheres, na Itália e Espanha, as mulheres eram <strong>sempre queimadas vivas</strong>.</p>



<p>Essa imagem da <strong>bruxa maligna continua representado no cinema, literatura, e reforçados no imaginário coletivo, com poucas exceções</strong>. Hoje, podemos chamar essa “demonização” da mulher de misoginia, que é o ódio, desprezo e preconceito contra mulheres e meninas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A Bruxa Feminista</h2>



<p>A partir do momento que a questão do gênero foi introduzida em pesquisas acadêmicas entre as década de 1970 e 1980, um <strong>outro olhar foi lançado para os estudos sobre as bruxas</strong>, as fontes documentais desse período ( processos inquisitoriais, tratados) foram revisitadas à luz de novas perguntas, fomentando teorias feministas. Por outro lado, nessas décadas <strong>muitos movimentos feministas ocuparam as ruas com reivindicações diversas</strong> e nesse momento houve uma apropriação da bruxa do passado pelos movimentos. Se essa apropriação da figura histórica da bruxa foi espontânea ou fruto das teorias feministas, não cabe ser discutido neste breve ensaio.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="616" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/09/bruxaefeminismo2.png" alt="" class="wp-image-2582" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/09/bruxaefeminismo2.png 576w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2020/09/bruxaefeminismo2-281x300.png 281w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /></figure></div>



<p>Diante de tudo que sabemos sobre o período inquisidor, podemos afirmar que houve um verdadeiro <strong>assassinato do gênero feminino, por manifestar seus conhecimentos as mulheres foram perseguidas, torturadas e mortas, como isso poderia ficar de fora do feminismo</strong>?</p>



<p>O <strong>feminismo busca resgatar a bruxa do limbo histórico, quebrando os estereótipos que resistem</strong>, trazendo à tona esta mulher, que detinha o poder, que cuidava de sua comunidade, que possuía conhecimentos sobre as plantas e sobre seu corpo, que resistia ao domínio da igreja e que foi caçada, violentada e morta. Infelizmente a misoginia e o medo do poder da mulher permanecem e, ainda hoje, somos julgadas, perseguidas e condenadas socialmente, muitas vezes assassinadas, pelo único fato de sermos mulheres, <strong>será que não somos todas bruxas</strong>?</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Júlia Amabile e Kamila Monteiro </em></p>



<p class="has-text-align-right"><em>Coletivo Feminista Nísia Floresta</em></p>



<p>Referências:</p>



<p>Calibã e a Bruxa. Mulheres, Corpo e Acumulação Primitiva. Silvia Federeci. Tradução &#8211; Coletivo Sycorax.</p>



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<p></p>



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