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Sobre o Outono: Folhas que vão e Raízes que permanecem

Sobre o Outono: Folhas que vão e Raízes que permanecem

Sobre o Outono: Folhas que vão e Raízes que permanecem

O Equinócio de Outono trouxe a temporada do Mabon, a segunda Colheita, e com essa energia, chegam também algumas reflexões muito necessárias para essa época do ano.

O Outono certamente é um dos períodos que mais gosto, a mudança da temperatura, da paisagem, do ciclo, enfim…

Mas nem sempre foi assim.

Festivais de Colheita

Os festivais de colheita sempre foram marcos da Roda do Ano que encontrei maior dificuldade em sentir e entender, principalmente no início de minha vida mágica.

As referências sempre me pareceram distantes, afinal de contas, o que exatamente a colheita teria de relação com a vida de uma bruxa urbana?

Com o tempo, com os estudos e com a compreensão dos mistérios, isso foi se reconstruindo e ganhando novos contornos, e te convido a acompanhar essa reflexão.

Os temas de Mabon são a Abundância e a Prosperidade, tão bem representadas pelas belas mesas de banquetes, taças repletas de moedas e grãos, símbolos da fartura e das despensas cheias. A Generosidade da Terra é reverenciada na figura da Deusa Madura que nutre e sustenta seus filhos, filhas e filhes.

No entanto, temos o outro aspecto da temporada, que se revela nas folhas que caem, nas temperaturas que diminuem gradativamente e no próprio tempo que parece desacelerar.

Equinócio de Outono

Podemos imaginar que essas representações estão ligadas ao Deus Ancião, que caminha para a morte em Samhain, e até pela própria Deusa, que apesar de abundante, também caminha para sua face de Anciã Sábia e Conselheira.

E como temas tão paradoxais podem acontecer ao mesmo tempo? A fartura e a decrepitude? A abundância e a finalização? As mesas cheias e as árvores cada vez mais “vazias” de suas folhas?

Gosto de pensar que este é um momento singular muito oportuno, haja vista que se pensarmos que Mabon é o Equinócio do Outono, temos neste momento – equinócio – o tema do equilíbrio! Luz e sombra, dia e noite, e seguindo este raciocínio, a abundância e a morte.

O desafio que se revela diante de nós é termos a sabedoria de agradecer por todas as bênçãos de nossas colheitas e aproveitarmos para olhar os excessos, o que não nos serve mais e deixar ir.

Certamente nem todas nossas sementes vingaram da maneira que projetamos, sendo assim a própria colheita pode trazer surpresas, com frutos não tão saborosos. E eles também estarão em nossas mesas.

E o momento de reavaliar e reajustar é agora. Olhando sabiamente para o que foi colhido, buscar entendimento e aprendizado com o que se apresenta a sua frente, e assim como as folhas que caem das árvores, deixar que isso também se vá.

Se observarmos uma grande árvore na chegada do outono, a visão pode parecer confusa. Vemos suas folhas mudando de cor e inicialmente é uma bela visão, a nuance e a mescla das cores que acontecem naturalmente

No entanto, após algum tempo essas folhas começam a cair e a árvore fica ali, completamente desnuda até que chegue a nova estação.

Um observador desatento pode achar que a árvore perdeu sua energia, sua beleza, sua vida. Todavia, ao olhar com profundidade, é possível detectar que as raízes desta árvore continuam armazenando sua força vital, circulando lentamente, distribuindo com sabedoria o que foi “colhido” na temporada, dando a cada recurso interno o direcionamento necessário, pois tudo que não servia mais foi embora com o cair das folhas.

As folhas caem, mas as raízes permanecem.

Então, por mais desafiador que possa parecer esse desnudar-se outonal, com folhas que nem sempre queremos deixar ir, temos raízes fortes que nos sustentam, e que só estão lá, firmes, porque foram nutridas com a fartura de nossas colheitas.

Portanto, bruxas, bruxos e bruxes, não se assustem com a temporada, a parte escura da Roda do Ano, pois a morte, o encerramento e as finalizações são tão necessários quanto a vida, o amor e o êxtase.

Que o Outono nos traga a sabedoria e o equilíbrio para atravessarmos a temporada!

Feliz Mabon!

Abençoades Sejam!

Mariana Leal

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