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	<title>Arquivos indigena brasileiro - Respeita as Bruxas da Quebrada</title>
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	<description>Wicca, Bruxaria, Sagrado Feminino e Paganismo</description>
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		<title>A inspiração da Deusa Mandí</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Coletivo Feminista Nisia Floresta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jun 2021 09:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Sagrado Feminino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A inspiração da Deusa Mandí que queria ser LIVRE e deixou de presente a técnica de plantio da mandioca para as mulheres Tupi.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>A inspiração da Deusa Mandí que queria ser LIVRE</strong></p>



<p><em>Ilustração de capa por <a href="https://www.instagram.com/clariceleal_arte/">Clarice Leal</a></em></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Nós mulheres indígenas não somos uma homogeneidade. Possuímos diferentes maneiras de compreender e estar no mundo segundo fomos ensinadas por nossas mais velhas.</p><cite>Márcia Kambeba</cite></blockquote>



<p>Trago para nosso círculo, a força ancestral de Mandí (em língua Tupi). É uma história única de tradição <strong>oral</strong> ancestral que provém da força de um ser muito sagrado que mudou a realidade das mulheres Tupi.</p>



<p>Aconteceu há muito tempo, há mais de quinze mil anos, quando o colonizador ainda não havia chegado aqui nessas terras.&nbsp; Em uma casinha de sapê, morava um casal de anciões sem filhos.</p>



<p>Nessa época, o <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Tupis">povo Tupi</a> não seguia os calendários do homem branco de hoje.  O tempo era medido em Luas e os anos, em taquaras (bambu). O tempo de vida de uma taquara é de trinta anos, então, ter uma taquara significa ter 30 anos.</p>



<p>Esse casal de anciãos já tinha mais de três taquaras de vida e nunca conseguiram ter nenhum filho. A comunidade vivia em harmonia e todos se ajudavam, mas cada clã (família) precisava colher seus alimentos. Eles também plantavam, mas não esse plantar de hoje, como a agricultura, era o plantar de jogar as sementes e as cascas que não fossem utilizadas em lugares onde pudessem descansar e renovar o solo para no futuro crescer novamente num ciclo novo de vida.</p>



<p>Esses anciões já estavam cansados, nessa época eles viviam muito tristes porque já não conseguiam fazer as coisas como na juventude e não conseguiam alimentos com facilidade na região. Essa tristeza aumentou quando começou a faltar alimento para todos e eles pensavam que a única maneira seria ter alguém os ajudando, que pudesse subir nas árvores e colher os frutos mais fresquinhos.</p>



<p>Numa tarde, eles voltavam para casa chorando pela dificuldade para conseguir encontrar alimentos para sua sobrevivência, olharam para o céu claro, mesmo já anoitecendo. Foram andando e observando Djatsy, que estava grande e cheia, então, fizeram um pedido para que a Lua os levasse embora para mundo sem mal e seguiram para casa onde foram dormir. Quando dormiram sonharam e, no sonho, viram um brilho muito forte como quando a luz da lua entra pela janela. Era o espírito de Djatsy que veio até eles e os cumprimentou dizendo:</p>



<p>“<em>Pyntū Porã! Eis que ouvi o clamor e a voz de vocês. Vim trazer o que há de melhor no céu, é uma estrela brilhante, Djatsy Tatá&#8217;í. Um dos seres mais incríveis do universo, o ser mais feliz de todo o céu! A deixarei com vocês e deverão cuidar bem dela.</em> ” Djatsy foi embora e junto todo brilho se foi.</p>



<p>Quando acordaram o marido viu a esposa e contou sobre seu sonho com Djatsy. A esposa ficou surpresa e confirmou que também tivera o mesmo sonho. Ficaram felizes e contaram para todos da aldeia que iriam ser pais, mas ninguém, ninguém acreditou, todos os achavam velhos demais para serem pais.</p>



<p>A barriga da mulher começou a crescer e conforme ia crescendo as pessoas olhavam e comentavam de sua velhice, enquanto ela se sentia muito bem, feliz e animada com vontade de fazer tantas coisas.</p>



<p>Quando chegou o tempo de nascer, chamaram a parteira. O tempo parou, todos os seres da floresta ficaram em silêncio, de repente deu um brilho imenso que iluminou tudo num grande clarão, a criança nasceu e ouviu-se um forte grito do bebê nascendo. Então, o pai chegou para olhar a criança achando que seria o filho tão esperado e viu a menina. Ficou desesperado, ainda mais porque não teria a esperada ajuda e não sabia como iriam sobreviver e alimentar mais uma pessoa, pois já não estavam conseguindo se alimentar naqueles tempos difíceis.</p>



<p>À linda menina, de pele muito branca e de cabelos claríssimos como o luar, deram o nome de Mandí. Acredita-se que ela foi a primeira criança albina que nasceu nessas terras.</p>



<p>Todos os aldeões iam visitar a criança nascida e ficavam espantados com aquela criança de aparência tão diferente de todo povo Tupi. O tempo foi passando e Mandí não se importava com os olhares e comentários, ela era muito feliz, sorridente e se comunicava com as plantas e animais mesmo antes de aprender a falar, por isso, estava sempre cercada por diversos animais.</p>



<p>Mandí queria plantar e naquela época as mulheres não plantavam. &nbsp;Essa era uma tarefa apenas dos homens, as mulheres participavam do preparo dos alimentos. Mandí gostava de ser livre e de estar em harmonia com os seres da floresta.</p>



<p>Um dia ela encontrou uma semente de milho verdadeiro e plantou, sem que ninguém visse. Logo cresceu um milharal muito bonito. Quando ela começou a distribuir as espigas, todos os aldeões e grandes líderes viram sua felicidade e por ter um milharal tão belo a puniram. Mandí foi trancada em uma casa com outras mulheres que estavam ali, onde ficou por quatro ou cinco anos, mas ela ainda tinha esperança de resolver o problema da fome de seu povo.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="900" height="600" src="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/06/a_deusa_mandi_1-1.png" alt="" class="wp-image-3061" srcset="https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/06/a_deusa_mandi_1-1.png 900w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/06/a_deusa_mandi_1-1-300x200.png 300w, https://respeitaasbruxasdaquebrada.com.br/wp-content/uploads/2021/06/a_deusa_mandi_1-1-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></figure></div>



<p>Com o passar do tempo ela foi se entristecendo até que um dia seu pai a chamou para contar que arranjara um casamento. Ela então ficou ainda mais triste, pensando que casar seria uma prisão pois não poderia fazer o que mais gostava que era estar na floresta e ser livre.</p>



<p>Mandí saiu correndo pela floresta, chorando tanto, foi quando o espírito de Djatsy apareceu diante dela e quis saber de sua tristeza, por ser o ser mais feliz do universo, porque estaria triste assim. Djatsy avisou que a levaria de volta para o céu. Mandí chorou e implorou para que pudesse ajudar seu povo e insistiu em fazer um único pedido antes da partida.</p>



<p>Djatsy ouviu-a e depois levou de volta seu espírito. O tempo parou como quando Mandí, nasceu e todos os seres da floresta ficaram contemplando-a. Quando os aldeões a encontraram, ela já estava morta. Então, todos os aldeões sentiram uma tristeza imensa ao se lembrar do sorriso e do jeito de ser da pequena Mandí. Logo, todos começaram a chorar e tiveram remorso pelo que fizeram com ela e levaram seu corpo para os seus pais, que receberam a notícia com muita dor.</p>



<p>Quando eles já estavam dormindo foram acordados pelo espírito de Mandi e ficaram surpresos achando que ela havia voltado, mas ela disse que apenas veio se despedir e os abraçou e agradeceu por tudo. Antes de ir embora, prometeu a sua mãe que nunca mais ela e seu povo passaria fome e pediu a seus pais, que ela fosse enterrada na Ori Gwaçu, uma casa de rituais sagrada, do povoado, também chamada de Grande Oka.</p>



<p>No mesmo momento em que ela foi enterrada, começaram o luto, o choro do povo e de Tupã que, muito triste com o ocorrido, iniciou então, uma chuva forte com grandes trovoadas. Era o choro de Tupã que era apaixonado por Djatsy Tata’í. Todos sentiram um aperto no coração era um dia de luta também para os grandes espíritos de toda existência.</p>



<p>Quando a chuva parou, a Lua desceu até o lugar onde estavam reunidos e disse a todos: <em>“Vocês não souberam amar e ouvir a estrela Mandí, o espírito mais feliz do universo que veio trazer muitos ensinamentos ao povo Tupi, mas agora é o espírito mais triste do pluriverso nesta conexão, ouçam a mensagem que ela trouxe. ”</em></p>



<p>Quando perceberam, acharam muito estranho pois no lugar onde enterraram estava remexido e o corpo não estava mais ali. No lugar, tinha uma rama e quando puxaram a rama, ela se partiu. E para surpresa de todos, a rama tinha a cor da pele de Mandí</p>



<p>Eis que Djatsy deu um grande grito, dizendo a todos: “<em>Mandí! Assim como ela ama seu povo, prometeu nunca mais deixá-los passar fome e se sacrificou para que mudanças acontecessem aqui. Mandi mandou essa raiz para alimentar seu povo. ”</em> Então, o povo ficou tão grato e emocionado que Mandí se tornou uma grande deusa para o povo Tupi que nunca mais passou fome. Mandí deixou de presente a técnica de plantio da mandioca para as mulheres Tupi. Se tornando, então, a grande inspiração para as mulheres transformando a realidade por treze mil anos. Ou até a ocasião que Anchieta chegou e modificou toda cultura Tupi.</p>



<p class="has-text-align-right">Texto de <strong>Patricia Cardoso Gomes dos Santos</strong></p>



<p class="has-text-align-right">Coletivo Feminista Nísia Floresta</p>



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